sexta-feira, setembro 28, 2012

O Segredo


   Assim que entrou, ele apenas entregou a chave para a mulher na recepção.
   – Tudo certo. – ela respondeu. Deu meia-volta e partiu apressado. Logo estava no vôo que o levaria de volta.
   Quando o avião pousou, desceu e ficou aguardando os outros passageiros para saber por onde deveria ir. Como não viu mais ninguém começou a andar por conta própria, mas logo percebeu que estava andando na direção errada. Voltou, mais alguns passos, mais direções erradas, mais voltas... Desconfiava que descera no aeroporto errado.
   Enquanto tentava, desesperado, obter sua localização com uma das aeromoças em solo, viu o seu avião partir. Como fazer para chegar ao seu destino final, agora? Que meios havia? Quanto seria um táxi até lá? Ou um ônibus?
   – Tem um vôo amanhã, por volta das 6 horas da tarde.
   Seria muito tarde. Precisava já estar em um terceiro lugar amanha, ou teria problemas. O que fazer agora?
   ‘Espere aí, cadê minha mala?’ Se lembrou que ela ainda estava no armário do hotel. Agora realmente precisaria ligar para avisar que chegaria atrasado. Descera no aeroporto errado, perdeu o avião e ainda estava sem sua mala. Como pudera ser tão burro? Não olhou o que estava escrito na sua passagem? Não percebeu que estava sem a mala ao embarcar?
   Mas... Por mais que tentasse não se lembrava de ter pego uma passagem ou de fazer o check-in. ‘Será que me deixaram entrar no avião sem a passagem?’ Pelo menos ainda teria a passagem para voltar.
   Mas isso não fazia sentido. A não ser... ‘Só pode ser um sonho’. E assim, acordou.

Parte 1


   Não estava sendo um bom dia, mas se lhe perguntassem o porquê, ele não saberia dizer.
   Era uma boa oportunidade de fazer as pazes com ela e demonstrar o seu amor. Quando chegou, mal entrou, só disse que iriam sair juntos. Pegaram o metrô, lotado, passível até de se perder lá dentro.
   Quando chegou na estação, onde já se desembarcava dentro daquele restaurante luxuoso, percebeu que poderia começar a responder porque não estava sendo um bom dia. Não queriam deixá-lo entrar, ou seja, descer do metrô. Podia ouvir o garçom dizer ao gerente ‘É aquele senhor, mas dessa vez ele veio com suas bermudas’. Ele só tinha ficado em casa o tempo suficiente para chamá-la, nem trocara de roupa. Nesse momento percebeu que ali não era um lugar apropriado para si, mas que tinha sido bem recebido nas outras vezes por estar com a roupa certa.
   O gerente foi mais conivente, permitiu que ele entrasse. Rapidamente saltou do metrô, que fechou suas portas logo atrás e começou a se movimentar.
   Foi então que se lembrou do que viera fazer ali, ao vê-la sentada, esperando por ele, no meio de várias caixas e sacolas, no fundo do vagão.

O Primeiro


   Ela entrou no quarto para pegar suas coisas e viu sua câmera em cima da cama, ao fundo. ‘Não acredito que o pai do meu filho não me deixou vê-la’. Ela sabia que com seus conhecimentos poderia arrumá-la. O dano era menor do que parecia.
   Foi quando viu o embrulho deixado para ela. Examinando-o, com cuidado, encontrou uma foto do rapaz, em um porta-retrato de papel, junto com um buquê de rosas brancas. Logo entendeu a mensagem.
   ‘Fred preferiu terminar’, disse em voz baixa, para si mesma, num misto de tristeza e conformidade. Ela sabia que era melhor assim. Terminava a espera dele. Apesar de achar que era uma espera em vão, não conseguiria afastar aquele sentimento de perda e solidão.
   Em seu longo vestido branco começou a expressar seus sentimentos ao violino enquanto seu corpo acompanhava o ritmo melancólico da melodia.