terça-feira, novembro 13, 2012

sexta-feira, setembro 28, 2012

O Segredo


   Assim que entrou, ele apenas entregou a chave para a mulher na recepção.
   – Tudo certo. – ela respondeu. Deu meia-volta e partiu apressado. Logo estava no vôo que o levaria de volta.
   Quando o avião pousou, desceu e ficou aguardando os outros passageiros para saber por onde deveria ir. Como não viu mais ninguém começou a andar por conta própria, mas logo percebeu que estava andando na direção errada. Voltou, mais alguns passos, mais direções erradas, mais voltas... Desconfiava que descera no aeroporto errado.
   Enquanto tentava, desesperado, obter sua localização com uma das aeromoças em solo, viu o seu avião partir. Como fazer para chegar ao seu destino final, agora? Que meios havia? Quanto seria um táxi até lá? Ou um ônibus?
   – Tem um vôo amanhã, por volta das 6 horas da tarde.
   Seria muito tarde. Precisava já estar em um terceiro lugar amanha, ou teria problemas. O que fazer agora?
   ‘Espere aí, cadê minha mala?’ Se lembrou que ela ainda estava no armário do hotel. Agora realmente precisaria ligar para avisar que chegaria atrasado. Descera no aeroporto errado, perdeu o avião e ainda estava sem sua mala. Como pudera ser tão burro? Não olhou o que estava escrito na sua passagem? Não percebeu que estava sem a mala ao embarcar?
   Mas... Por mais que tentasse não se lembrava de ter pego uma passagem ou de fazer o check-in. ‘Será que me deixaram entrar no avião sem a passagem?’ Pelo menos ainda teria a passagem para voltar.
   Mas isso não fazia sentido. A não ser... ‘Só pode ser um sonho’. E assim, acordou.

Parte 1


   Não estava sendo um bom dia, mas se lhe perguntassem o porquê, ele não saberia dizer.
   Era uma boa oportunidade de fazer as pazes com ela e demonstrar o seu amor. Quando chegou, mal entrou, só disse que iriam sair juntos. Pegaram o metrô, lotado, passível até de se perder lá dentro.
   Quando chegou na estação, onde já se desembarcava dentro daquele restaurante luxuoso, percebeu que poderia começar a responder porque não estava sendo um bom dia. Não queriam deixá-lo entrar, ou seja, descer do metrô. Podia ouvir o garçom dizer ao gerente ‘É aquele senhor, mas dessa vez ele veio com suas bermudas’. Ele só tinha ficado em casa o tempo suficiente para chamá-la, nem trocara de roupa. Nesse momento percebeu que ali não era um lugar apropriado para si, mas que tinha sido bem recebido nas outras vezes por estar com a roupa certa.
   O gerente foi mais conivente, permitiu que ele entrasse. Rapidamente saltou do metrô, que fechou suas portas logo atrás e começou a se movimentar.
   Foi então que se lembrou do que viera fazer ali, ao vê-la sentada, esperando por ele, no meio de várias caixas e sacolas, no fundo do vagão.

O Primeiro


   Ela entrou no quarto para pegar suas coisas e viu sua câmera em cima da cama, ao fundo. ‘Não acredito que o pai do meu filho não me deixou vê-la’. Ela sabia que com seus conhecimentos poderia arrumá-la. O dano era menor do que parecia.
   Foi quando viu o embrulho deixado para ela. Examinando-o, com cuidado, encontrou uma foto do rapaz, em um porta-retrato de papel, junto com um buquê de rosas brancas. Logo entendeu a mensagem.
   ‘Fred preferiu terminar’, disse em voz baixa, para si mesma, num misto de tristeza e conformidade. Ela sabia que era melhor assim. Terminava a espera dele. Apesar de achar que era uma espera em vão, não conseguiria afastar aquele sentimento de perda e solidão.
   Em seu longo vestido branco começou a expressar seus sentimentos ao violino enquanto seu corpo acompanhava o ritmo melancólico da melodia.

sábado, agosto 11, 2012

Carta criptografada

   Querido telespectador, (pula duas linhas, deixa o espaço do parágrafo)
   Hoje é diferente. Não temos o vapor que rebuliça. Temos o amor que movediça.
   É carta ou é poesia? 3 de 2 ou 2 de 3?
   Não abra o envelope, ainda não é a hora. Ainda não é o autor. Ainda não.
   Que brilho falta. Serão os óculos escuros? Ou será a sua bengala? Muito suco de fadas turva o mar das meninas.
(Agora, sim, a cascata cai sobre nossas cabeças.)
   Não se deixe encaraminholar. A serpente não come a flor pelo seu perfume...
(secou a fonte)
   Poderia ser simples, se não fosse a falta do encaixe. Deveria ou deverou?
   O pecado pode ser outro, o nanismo vem para o par. Um peixe não pode ensinar o outro a voar. Uma gaiola não pode ensinar a rosa a perfumar. Uma sombra não pode ensinar a corrente a acorrentar.
   Hoje é rosa, ontem foi margarida, e a corrente sempre com seus elos a se romper. E a rosa sem nada a fazer, a não ser. Você não é cadeado, ela não é perfume. 1 não é o par. A sombra cresce, a gaiola aperta...
   Mas cada cava a sua cova. Quando acordar já pode ter tocado.

    Com amor...

PS: Ah, se a pedra de Roseta...

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

A Culpa é da Fruta

   Ela poderia ser uma pêra, se não fosse uma maçã. E um dia resolveu fazer um suco com ingredientes secretos. Segredos que tinham suas respostas. Depois de guardar o baú, agora os segredos. Mas esses não estão enterrados, e por isso, não serão descobertos.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Prólogo


   Era uma vez, num aquário muito distante uma linda borboleta cor de estrela. Era uma borboleta serelepe que de tanto saracutear não sabia em que flor iria pousar.
   Como todo bom artrópode, nossa querida borboleta tinha várias articulações: ser astronauta é o nome da primeira. Ela nem sabia onde ficava a lua, mas uma pedra, que queria ser cometa, a levou para esse mundo suburbano de coisas a brilhar.
   No meio do caminho, o brilho foi intenso e cegou a pobre pedra, que deixaremos por aqui até que alguém nela tropece e faça um poema. Mas a nossa borboleta tinha cor de estrela, e não se deixou ofuscar. Ela voou, voou mas não conseguiu alcançar o céu, não tinha o brilho tão intenso, e não foi dessa vez que ela articulou sua articulação.
   Em vez de astronauta, nossa borboleta foi ter aulas de dança com uma centopéia. Uma longa centopéia de 6 patas, cada uma com um passo diferente. Mas a borboleta não sabia porque estava ali, ela não gostava de dançar, porque teria de aprender aquilo? Ela sabia, mas se recusava a aceitar, Roda da Fortuna, foi o tridente que apontou a centopéia dançarina.
   Mas enquanto dançava, a borboleta não deixou de brilhar, mas ninguém consegue dançar enquanto brilha, ninguém consegue brilhar enquanto dança, e quando aprendeu a primeira pata... É hora de brilhar!
   E a borboleta brilhou! Brilhou mais do que antes! Brilhou até o céu. E lá, no céu do dia, se queimou. ‘Não quero mais’. Mas no céu da noite, ela brilhou. ‘Não vou voltar’. Roda da Fortuna, o tridente quer a centopéia.
   Mais uma pata de dança, mas agora a borboleta já sabe brilhar enquanto dança, e ela brilha e dança, e dança e brilha até quase chegar no céu... Mas falta um lusco-fusco , foi o tridente quem tirou. Agora a borboleta sabe que terá de dançar, as 6 patas. Dança meio sem querer, meio sem-graça, mas dança os 6.
   E 6 patas depois, a borboleta agora é dançarina, dança muito mal, não quer dançar, mas ela vai ter que dançar, e dançar com as tartarugas. Ela não quer ser uma tartaruga, ela não gosta de tartaruga, ela não quer ir para a toca da tartaruga... :...(
   E o tridente joga a borboleta na toca da tartaruga, sem roda, sem fortuna, sem choro, sem vela.
   A tartaruga é legal. Ser tartaruga é legal, a borboleta descobriu. Ela não irá mais à lua, não por agora, mas ela pode respirar o vácuo de ser astronauta.